segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Caminhada pela liberdade e anistia reúne cerca de 300 pessoas em Campo Grande e se conecta a mobilização nacional liderada por Nikolas Ferreira

 

Caminhada "Acorda Brasil". (Wagner Santana, Planeta Oeste)

Campo Grande (MS), 25 de janeiro de 2026 — Cerca de 300 pessoas participaram, na manhã deste domingo (25), de uma caminhada pela liberdade e pela anistia dos presos pelos atos de 8 de janeiro. A concentração ocorreu às 9h, na Praça do Rádio Clube, no centro da Capital, e o grupo seguiu em marcha pela Avenida Afonso Pena até a sede do Ministério Público Federal (MPF). O ato foi organizado pelo movimento Juntos MS, com atuação direta e ativa dos vereadores André Salineiro (PL) e Rafael Tavares (PL) na mobilização, articulação e condução do evento.

Caminhada "Acorda Brasil". (Wagner Santana, Planeta Oeste)

 A manifestação em Campo Grande se insere em um contexto nacional de retomada das mobilizações de rua por grupos conservadores e foi inspirada na caminhada do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em direção a Brasília. A iniciativa de Nikolas, que ganhou grande repercussão nas redes sociais e na imprensa, tem como objetivo pressionar por anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e por mudanças no sistema político-eleitoral. Em vários estados, lideranças locais passaram a organizar atos simbólicos alinhados à mesma pauta — como ocorreu em Mato Grosso do Sul.

Durante o percurso, manifestantes vestiam camisetas com frases como “Acorda Brasil” e carregavam faixas com dizeres como “Justiça e Liberdade”. As pautas centrais do ato foram: críticas ao Judiciário, defesa da anistia aos presos do 8 de janeiro e a reivindicação por contagem pública de votos.

Foto (Wagner Santana, Planeta Oeste)

A caminhada foi acompanhada por equipes da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar, que garantiram a segurança do trajeto e a fluidez do trânsito. Não houve registros de tumultos, confrontos ou presença de grupos contrários. Um carro de apoio distribuiu água aos participantes e recolheu copos descartáveis ao longo do percurso, evitando o acúmulo de lixo.


 Em entrevista, o vereador André Salineiro, que esteve à frente da organização do ato em conjunto com o Juntos MS, afirmou estar satisfeito com a adesão.
“Reuniu mais gente do que esperávamos. A população está acordando para a importância de voltar às ruas. Era um clamor dos eleitores: que os políticos saíssem das redes sociais e voltassem ao contato direto com o povo”, declarou.

 O vereador Rafael Tavares, também organizador da mobilização, destacou a ligação direta com o movimento iniciado por Nikolas Ferreira.

“Fomos inspirados pela caminhada do deputado Nikolas até Brasília. Mesmo que o nosso ato aqui seja simbólico, não poderíamos deixar de fazer algo em Campo Grande. Precisávamos mostrar que Mato Grosso do Sul também está mobilizado”, afirmou.

Vereadores Rafael Tavares (esq) e André Salineiro (dir). (Wagner Santana, Planeta Oeste)

No carro de som, o procurador Felipe Gimenez discursou a favor do voto impresso e criticou o atual modelo de votação eletrônica. Segundo ele, “não é possível confiar plenamente no processo eleitoral da forma como está hoje”, defendendo maior transparência e auditoria pública.

Procurador Felipe Gimenez em discurso. (Wagner Santana, Planeta Oeste)
 A manifestação foi coberta pelos veículos Midiamax e TopMídia News e se encerrou por volta das 11h, com os participantes chegando ao MPF de forma ordeira.

Além de Campo Grande, houve mobilização relacionada ao movimento “Acorda Brasil” em Cuiabá (MT), onde cinco pessoas realizaram colagem e distribuição de adesivos. A ação foi coordenada pela liderança Vandinho Patriota.

A caminhada em Campo Grande reforça a estratégia de nacionalização da pauta da anistia e da crítica ao sistema político-judicial, conectando lideranças locais a uma mobilização mais ampla que tem em Nikolas Ferreira uma de suas principais referências públicas.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Venezuelanos comemoram prisão de Maduro em Campo Grande

 

Cerca de 40 imigrantes venezuelanos se reuniram na tarde deste domingo (4), em Campo Grande, para celebrar a prisão do ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. O grupo comemorou o desfecho ocorrido no sábado (3), quando Maduro foi detido durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos, fato que reacendeu a esperança de mudanças profundas no cenário político do país sul-americano.

Portando faixas, bandeiras da Venezuela e cartazes com mensagens de apoio à democracia, os manifestantes se concentraram na Praça do Rádio Clube. O ato teve caráter pacífico e simbólico, marcado por discursos emocionados, cânticos e relatos pessoais de quem deixou a Venezuela forçado pela crise política, econômica e humanitária. Para muitos, a prisão de Maduro representa o início de uma nova fase e a possibilidade concreta de reconstrução institucional do país.

Mesmo diante da expectativa de transformação política, parte dos participantes afirma não pretender retornar à Venezuela. Muitos já reconstruíram suas vidas no Brasil, onde encontraram segurança, trabalho e estabilidade após anos de incertezas. Atualmente, Campo Grande abriga cerca de 5 mil refugiados venezuelanos, enquanto o número em todo o Mato Grosso do Sul chega a aproximadamente 12 mil.

A presidente da Associação Venezuelana de Campo Grande, Mirtha Carpio, destacou que o regime chavista foi responsável por um longo período de fome, repressão e sofrimento generalizado. Ela deixou a Venezuela em 2008, após sofrer perseguição política, e afirma que a situação no país se deteriorou ainda mais ao longo dos anos.

“Posso resumir tudo em pobreza extrema. As pessoas estão saindo do país doentes, porque não há medicamentos, não há comida, não há o mínimo para sobreviver. O sistema destruiu completamente a dignidade da população. Para nós, este momento representa a celebração do início de uma transição rumo à liberdade”, afirmou.

Estabelecida em Campo Grande, Mirtha diz não ter planos de retornar à terra natal, por considerar que construiu uma vida estável no Brasil. Na avaliação dela, a presidente interina Delcy Rodríguez deve assumir a condução do processo de transição política.

“Imagino que será um período complexo, que exigirá muita administração, diálogo e cooperação internacional. Ela [Delcy] deverá atuar como uma coordenadora desse processo, inclusive com apoio dos Estados Unidos. A partir disso, será necessário dar continuidade às reformas e reconstruir as instituições”, opinou.

Outra participante do ato foi a cientista política Lourdes Montilla, que deixou a Venezuela há oito anos para escapar da perseguição política. Antes de se estabelecer no Brasil, onde vive há três anos, ela passou cinco anos no Peru. Lourdes relembra com pesar os momentos mais críticos vividos ainda em seu país de origem, quando a fome se tornou parte da rotina.

“Houve momentos em que precisei comer comida de cachorro para sobreviver. Esse é o nível de degradação a que chegamos”, relatou.

Ela descreveu com emoção o momento em que assistiu à prisão de Maduro. “Não foi um ataque ou um bombardeio, como muitos imaginam. Foi a extração de um ditador. Eu chamo de uma operação cirúrgica: precisa, direta e objetiva. Isso é algo extraordinário, porque evitou um colapso maior. Sempre existem danos colaterais, mas, infelizmente, esse é um preço que o povo venezuelano já paga há muitos anos”, afirmou.

O ato em Campo Grande terminou com aplausos, orações e mensagens de solidariedade ao povo venezuelano, em um clima de esperança cautelosa quanto aos próximos passos do processo político no país.