segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Caminhada pela liberdade e anistia reúne cerca de 300 pessoas em Campo Grande e se conecta a mobilização nacional liderada por Nikolas Ferreira

 

Caminhada "Acorda Brasil". (Wagner Santana, Planeta Oeste)

Campo Grande (MS), 25 de janeiro de 2026 — Cerca de 300 pessoas participaram, na manhã deste domingo (25), de uma caminhada pela liberdade e pela anistia dos presos pelos atos de 8 de janeiro. A concentração ocorreu às 9h, na Praça do Rádio Clube, no centro da Capital, e o grupo seguiu em marcha pela Avenida Afonso Pena até a sede do Ministério Público Federal (MPF). O ato foi organizado pelo movimento Juntos MS, com atuação direta e ativa dos vereadores André Salineiro (PL) e Rafael Tavares (PL) na mobilização, articulação e condução do evento.

Caminhada "Acorda Brasil". (Wagner Santana, Planeta Oeste)

 A manifestação em Campo Grande se insere em um contexto nacional de retomada das mobilizações de rua por grupos conservadores e foi inspirada na caminhada do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em direção a Brasília. A iniciativa de Nikolas, que ganhou grande repercussão nas redes sociais e na imprensa, tem como objetivo pressionar por anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e por mudanças no sistema político-eleitoral. Em vários estados, lideranças locais passaram a organizar atos simbólicos alinhados à mesma pauta — como ocorreu em Mato Grosso do Sul.

Durante o percurso, manifestantes vestiam camisetas com frases como “Acorda Brasil” e carregavam faixas com dizeres como “Justiça e Liberdade”. As pautas centrais do ato foram: críticas ao Judiciário, defesa da anistia aos presos do 8 de janeiro e a reivindicação por contagem pública de votos.

Foto (Wagner Santana, Planeta Oeste)

A caminhada foi acompanhada por equipes da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar, que garantiram a segurança do trajeto e a fluidez do trânsito. Não houve registros de tumultos, confrontos ou presença de grupos contrários. Um carro de apoio distribuiu água aos participantes e recolheu copos descartáveis ao longo do percurso, evitando o acúmulo de lixo.


 Em entrevista, o vereador André Salineiro, que esteve à frente da organização do ato em conjunto com o Juntos MS, afirmou estar satisfeito com a adesão.
“Reuniu mais gente do que esperávamos. A população está acordando para a importância de voltar às ruas. Era um clamor dos eleitores: que os políticos saíssem das redes sociais e voltassem ao contato direto com o povo”, declarou.

 O vereador Rafael Tavares, também organizador da mobilização, destacou a ligação direta com o movimento iniciado por Nikolas Ferreira.

“Fomos inspirados pela caminhada do deputado Nikolas até Brasília. Mesmo que o nosso ato aqui seja simbólico, não poderíamos deixar de fazer algo em Campo Grande. Precisávamos mostrar que Mato Grosso do Sul também está mobilizado”, afirmou.

Vereadores Rafael Tavares (esq) e André Salineiro (dir). (Wagner Santana, Planeta Oeste)

No carro de som, o procurador Felipe Gimenez discursou a favor do voto impresso e criticou o atual modelo de votação eletrônica. Segundo ele, “não é possível confiar plenamente no processo eleitoral da forma como está hoje”, defendendo maior transparência e auditoria pública.

Procurador Felipe Gimenez em discurso. (Wagner Santana, Planeta Oeste)
 A manifestação foi coberta pelos veículos Midiamax e TopMídia News e se encerrou por volta das 11h, com os participantes chegando ao MPF de forma ordeira.

Além de Campo Grande, houve mobilização relacionada ao movimento “Acorda Brasil” em Cuiabá (MT), onde cinco pessoas realizaram colagem e distribuição de adesivos. A ação foi coordenada pela liderança Vandinho Patriota.

A caminhada em Campo Grande reforça a estratégia de nacionalização da pauta da anistia e da crítica ao sistema político-judicial, conectando lideranças locais a uma mobilização mais ampla que tem em Nikolas Ferreira uma de suas principais referências públicas.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Venezuelanos comemoram prisão de Maduro em Campo Grande

 

Cerca de 40 imigrantes venezuelanos se reuniram na tarde deste domingo (4), em Campo Grande, para celebrar a prisão do ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. O grupo comemorou o desfecho ocorrido no sábado (3), quando Maduro foi detido durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos, fato que reacendeu a esperança de mudanças profundas no cenário político do país sul-americano.

Portando faixas, bandeiras da Venezuela e cartazes com mensagens de apoio à democracia, os manifestantes se concentraram na Praça do Rádio Clube. O ato teve caráter pacífico e simbólico, marcado por discursos emocionados, cânticos e relatos pessoais de quem deixou a Venezuela forçado pela crise política, econômica e humanitária. Para muitos, a prisão de Maduro representa o início de uma nova fase e a possibilidade concreta de reconstrução institucional do país.

Mesmo diante da expectativa de transformação política, parte dos participantes afirma não pretender retornar à Venezuela. Muitos já reconstruíram suas vidas no Brasil, onde encontraram segurança, trabalho e estabilidade após anos de incertezas. Atualmente, Campo Grande abriga cerca de 5 mil refugiados venezuelanos, enquanto o número em todo o Mato Grosso do Sul chega a aproximadamente 12 mil.

A presidente da Associação Venezuelana de Campo Grande, Mirtha Carpio, destacou que o regime chavista foi responsável por um longo período de fome, repressão e sofrimento generalizado. Ela deixou a Venezuela em 2008, após sofrer perseguição política, e afirma que a situação no país se deteriorou ainda mais ao longo dos anos.

“Posso resumir tudo em pobreza extrema. As pessoas estão saindo do país doentes, porque não há medicamentos, não há comida, não há o mínimo para sobreviver. O sistema destruiu completamente a dignidade da população. Para nós, este momento representa a celebração do início de uma transição rumo à liberdade”, afirmou.

Estabelecida em Campo Grande, Mirtha diz não ter planos de retornar à terra natal, por considerar que construiu uma vida estável no Brasil. Na avaliação dela, a presidente interina Delcy Rodríguez deve assumir a condução do processo de transição política.

“Imagino que será um período complexo, que exigirá muita administração, diálogo e cooperação internacional. Ela [Delcy] deverá atuar como uma coordenadora desse processo, inclusive com apoio dos Estados Unidos. A partir disso, será necessário dar continuidade às reformas e reconstruir as instituições”, opinou.

Outra participante do ato foi a cientista política Lourdes Montilla, que deixou a Venezuela há oito anos para escapar da perseguição política. Antes de se estabelecer no Brasil, onde vive há três anos, ela passou cinco anos no Peru. Lourdes relembra com pesar os momentos mais críticos vividos ainda em seu país de origem, quando a fome se tornou parte da rotina.

“Houve momentos em que precisei comer comida de cachorro para sobreviver. Esse é o nível de degradação a que chegamos”, relatou.

Ela descreveu com emoção o momento em que assistiu à prisão de Maduro. “Não foi um ataque ou um bombardeio, como muitos imaginam. Foi a extração de um ditador. Eu chamo de uma operação cirúrgica: precisa, direta e objetiva. Isso é algo extraordinário, porque evitou um colapso maior. Sempre existem danos colaterais, mas, infelizmente, esse é um preço que o povo venezuelano já paga há muitos anos”, afirmou.

O ato em Campo Grande terminou com aplausos, orações e mensagens de solidariedade ao povo venezuelano, em um clima de esperança cautelosa quanto aos próximos passos do processo político no país.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Greve de motoristas completa três dias e afeta locomoção da população em Campo Grande

 

A greve dos motoristas do transporte coletivo em Campo Grande (MS) chegou ao terceiro dia consecutivo, intensificando os impactos na rotina de milhares de moradores que dependem do serviço para se deslocar ao trabalho, escolas e unidades de saúde.

Desde o início da paralisação, a circulação de ônibus permanece reduzida, o que tem provocado longos períodos de espera nos pontos, superlotação nos veículos em operação e atrasos recorrentes. Trabalhadores relatam dificuldades para cumprir jornadas profissionais, com registros de faltas, atrasos e necessidade de buscar meios alternativos de transporte.

Segundo o sindicato da categoria, a greve foi mantida após impasse nas negociações com as empresas concessionárias, envolvendo reivindicações como reajuste salarial, melhores condições de trabalho e cumprimento de direitos previstos em acordos anteriores. Os motoristas alegam que a defasagem salarial e a sobrecarga de trabalho tornaram insustentável a continuidade do serviço nos moldes atuais.

As empresas responsáveis pelo transporte coletivo afirmam que o movimento compromete parte da frota e informam que seguem em diálogo com os representantes dos trabalhadores. Em posicionamento público, destacam dificuldades financeiras do setor e defendem a mediação do poder público para viabilizar um acordo.

A Prefeitura de Campo Grande informou que acompanha a situação e atua como mediadora entre as partes. De acordo com o Executivo municipal, linhas consideradas essenciais continuam operando dentro do percentual mínimo previsto em lei, embora usuários apontem que a oferta é insuficiente para atender à demanda.

Com a paralisação já entrando no terceiro dia, entidades civis e movimentos sociais alertam para os prejuízos acumulados à população trabalhadora e defendem uma solução negociada que garanta tanto os direitos dos motoristas quanto o direito da população ao transporte público.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre o encerramento da greve ou sobre um acordo entre as partes. Novas rodadas de negociação podem ocorrer nos próximos dias.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Unidade Popular MS: Vozes em Luta por Justiça e Direitos

 

O movimento Unidade Popular MS nasceu e se fortalece a partir da organização popular, da luta coletiva e da defesa intransigente dos direitos do povo trabalhador. Em um cenário de ataques constantes à democracia, aos direitos sociais e às minorias, é fundamental ocupar espaços — inclusive os digitais — para denunciar injustiças, mobilizar consciências e construir resistência.

Neste texto, reafirmam suas posições políticas e sociais em defesa da vida, da democracia e da soberania popular.


❌ Contra o PL da Dosimetria

"O chamado PL da dosimetria representa mais um ataque ao sistema de justiça e à garantia de direitos. Ao flexibilizar critérios de aplicação de penas, esse projeto abre espaço para arbitrariedades, seletividade penal e aprofundamento do encarceramento em massa, que atinge majoritariamente a população pobre, negra e periférica. Somos contra qualquer proposta que enfraqueça princípios fundamentais do devido processo legal."


✊🏽 Contra o Feminicídio

"O feminicídio é uma chaga aberta na sociedade brasileira. Todos os dias, mulheres são assassinadas pelo simples fato de serem mulheres. A Unidade Popular MS se posiciona firmemente contra toda forma de violência de gênero, exigindo políticas públicas efetivas de prevenção, acolhimento, proteção e punição aos agressores. Nenhuma a menos!"


🚫 Fora Hugo Motta

"Repudiamos práticas políticas que representam retrocessos, acordos de bastidores e ataques aos direitos populares. Hugo Motta não nos representa. Defendemos uma política feita com transparência, compromisso social e alinhamento com os interesses da classe trabalhadora."


⚖️ Sem Anistia

"Não aceitaremos acordos que passem pano para crimes contra a democracia. Sem anistia para golpistas, corruptos e aqueles que atentaram contra o Estado Democrático de Direito. Justiça só existe quando há responsabilização."


🌱 Contra o Marco Temporal

"Somos totalmente contra o Marco Temporal, uma tese que ameaça os direitos dos povos indígenas e ignora séculos de violência, expulsões e genocídio. A terra indígena é direito originário, garantido pela Constituição. Defender os povos indígenas é defender a vida, o meio ambiente e a justiça histórica."


❌ Contra Riedel e Adriane Lopes

"O governo Riedel, aliado à gestão municipal de Adriane Lopes, representa um projeto político que prioriza interesses econômicos e empresariais em detrimento do bem-estar social. Cortes, privatizações e ausência de políticas populares aprofundam as desigualdades em Mato Grosso do Sul. Dizemos não a esse projeto!"


A Unidade Popular MS acredita que somente com organização popular, mobilização permanente e consciência política será possível transformar a realidade. Nosso compromisso é com o povo, com a justiça social e com um futuro digno para todas e todos, finaliza Rafael, integrante do movimento.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Novo coordenador Regional da FUNAI é nomeado e assume o cargo na cidade de Campo Grande



📰 Lideranças indígenas se mobilizam em torno de mudanças na FUNAI

Nos últimos dias, uma série de manifestações e reuniões marcaram o debate sobre a coordenação regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) em Campo Grande (MS). O tema ganhou destaque após lideranças indígenas expressarem posições diferentes sobre a possível substituição do atual coordenador, Elvis Terena, e a indicação de Dioni Alcântara Batista para o cargo.

🗓️ Início das mobilizações

Na quarta-feira (5), um grupo de cerca de 25 lideranças indígenas — entre caciques, vereadores e representantes das etnias Terena, Kadiwéu, Kinikinau e Atikum — se reuniu na sede da FUNAI para reafirmar apoio à permanência de Elvis Terena.

As lideranças ressaltaram que o atual coordenador mantém diálogo constante com as aldeias e tem promovido melhorias na gestão e execução de projetos comunitários.

🤝 Reunião do Conselho do Povo Terena

No dia seguinte (6), o Conselho do Povo Terena se reuniu com Elvis Terena e apresentou outra posição: a defesa de uma renovação na coordenação.
O Conselho indicou o nome de Dioni Alcântara Batista, liderança indígena reconhecida pela atuação em pautas regionais, como possível substituto. O grupo afirmou que a mudança seria parte de uma reestruturação política interna e que o cargo “não deve ser tratado como permanente”, defendendo alternância e representatividade mais ampla.

Ocupação da sede da FUNAI

Na segunda-feira (10), cerca de 28 caciques de diferentes regiões de Mato Grosso do Sul ocuparam pacificamente a sede da FUNAI em Campo Grande. O ato pedia a manutenção de Elvis Terena até que todas as comunidades fossem ouvidas formalmente.
Durante a ocupação, houve uma votação simbólica e manifestações culturais em defesa do diálogo e da autonomia das decisões indígenas.

Os participantes afirmaram que permaneceriam no local até uma resposta oficial da presidência da FUNAI e do Ministério dos Povos Indígenas (MPI).

⚖️ Panorama e próximos passos

O caso evidencia divergências internas entre grupos indígenas sobre os critérios de escolha da coordenação da FUNAI no Estado.
De um lado, há quem defenda a continuidade da atual gestão por representar estabilidade administrativa e diálogo; de outro, lideranças que desejam renovação e novas representações regionais, como a de Dioni Alcântara Batista.

Em entrevista, Dioni afirma estar motivado em fazer uma boa gestão e demonstrou preocupação com as carências das aldeias que necessitam, o combate às queimadas no pantanal e maior divulgação da cultura indígena e acesso à educação.








quarta-feira, 15 de outubro de 2025

VOCÊ SABE O QUE É O BANCO VERMELHO?

 

O Banco Vermelho é mais do que uma peça de mobiliário urbano. É um memorial silencioso e, ao mesmo tempo, um grito visual contra a violência de gênero. Instalado em praças, prédios públicos, universidades e locais de grande circulação, o banco pintado de vermelho carrega um propósito nobre: lembrar as vítimas de feminicídio e alertar a sociedade sobre a urgência do combate à violência contra as mulheres.

A origem do movimento remonta à Itália, em 2016, quando o projeto La Panchina Rossa (O Banco Vermelho) foi criado como uma forma de sensibilizar a população sobre o número crescente de mulheres mortas por seus companheiros ou ex-companheiros. A ideia se espalhou rapidamente por outros países, tornando-se um símbolo universal de luta e memória. No Brasil, o movimento ganhou força graças às pernambucanas Andrea Rodrigues e Paula Limongi, que trouxeram o projeto para o país e criaram o Instituto Banco Vermelho.

O simbolismo da cor vermelha é profundo e perturbador. Representa o sangue derramado, a dor e o silêncio imposto às mulheres vítimas de violência doméstica e feminicídio. Ao mesmo tempo, o vermelho também é a cor da força, da coragem e da transformação, evocando a esperança de uma sociedade mais justa e igualitária. Assim, cada banco pintado se torna um lembrete permanente de que a violência contra a mulher não pode ser normalizada nem esquecida.

No Brasil, o movimento ganhou ainda mais visibilidade em 2024, com a aprovação da Lei nº 14.942/2024, que instituiu oficialmente o Banco Vermelho como instrumento de conscientização e memorial público. A lei autoriza a instalação desses bancos em espaços públicos, acompanhados de mensagens educativas e informações sobre canais de denúncia, como o Disque 180, o principal canal nacional de atendimento a mulheres em situação de violência.

Essas instalações também se conectam à campanha Agosto Lilás, mês dedicado ao enfrentamento da violência doméstica e familiar. Ao unir arte, mobilização social e política pública, o Banco Vermelho transforma o espaço urbano em um território de empatia e educação, despertando em quem passa a responsabilidade coletiva de combater o machismo e proteger vidas.

Em muitas cidades brasileiras, os bancos trazem frases marcantes, como “Em memória de todas as mulheres assassinadas pelo machismo” ou “O silêncio mata”. Alguns possuem QR codes que direcionam o público a sites de apoio, legislação e serviços especializados. É uma ação simples, mas de grande impacto simbólico, que transforma o cotidiano em um lembrete visual da luta por respeito e igualdade.

Mais do que uma homenagem, o Banco Vermelho é um convite à reflexão. Ele nos faz pensar sobre o papel de cada pessoa na construção de um ambiente seguro para mulheres e meninas — dentro de casa, nas ruas, no trabalho e em todos os espaços sociais. Cada banco é um ponto de memória coletiva, onde a ausência de uma voz se transforma em presença, e a dor se converte em mobilização.

Em tempos em que os índices de feminicídio ainda assustam, o Banco Vermelho se afirma como uma iniciativa essencial. Ele une o poder simbólico da arte pública à necessidade urgente de mudança cultural. E, enquanto houver uma mulher em risco, o vermelho continuará a brilhar nas praças do país lembrando a todos que nenhuma vida deve ser perdida para o machismo.

Em Campo Grande o Banco Vermelho recebeu uma homenagem especial: ele foi instalado no MPT-MS em memória de Vanessa Ricarte, jornalista servidora assassinada. Esse ato, identificado pela hashtag #JustiçaPorVanessa, reuniu colegas, parentes e a comunidade, que vestiu preto como expressão de luto e apelo por justiça. Como parte desse movimento, foi aprovado na Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 12.069/2025, que institui o Programa Banco Vermelho no município de forma permanente, tornando o símbolo mais do que gesto,  uma política pública constante de alerta, conscientização e combate à violência de gênero.

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

A MORENA TA FITNESS

     A Corrida do Pantanal 2025 tomou conta das ruas da Cidade Morena no último fim de semana e transformou Campo Grande em um verdadeiro palco de energia, emoção e superação. Milhares de atletas, desde corredores profissionais até famílias inteiras, participaram das provas de 5 km, 10 km e 21 km, além das categorias caminhada e corrida infantil. O evento, que já é tradição no calendário esportivo sul-mato-grossense, reafirmou seu lugar como uma das maiores corridas de rua do Centro-Oeste.

    Logo nas primeiras horas da manhã, a Cidade Morena despertou ao som das passadas e aplausos. A largada principal da meia-maratona, com percurso de 21 km, aconteceu por volta das 5h30 e percorreu alguns dos cartões-postais mais bonitos da capital, como a Avenida Afonso Pena, o Parque dos Poderes e o Parque das Nações Indígenas. O clima de confraternização tomou conta das ruas, mesmo com o sol forte e as subidas desafiadoras que testaram a resistência dos competidores. A torcida da Cidade Morena vibrou com cada chegada, transformando o evento em uma grande celebração esportiva.

    Mas a Corrida do Pantanal não foi apenas sobre competição. Histórias de superação, amizade e amor pelo esporte emocionaram o público. Casais e famílias correram juntos, pais incentivaram filhos e amigos ajudaram uns aos outros durante o percurso. Em um dos momentos mais marcantes, um pai exausto ouviu o grito do filho “bora, pai!” e encontrou forças para cruzar a linha de chegada sob aplausos, reforçando o caráter festivo e inclusivo do evento. A alegria estampada nos rostos dos corredores e espectadores provou que a Corrida do Pantanal é muito mais que uma prova é uma experiência coletiva de celebração e pertencimento.

    Com mais de 25 mil participantes, a Corrida do Pantanal 2025 mostrou que a Cidade Morena é, sim, um dos grandes centros do esporte nacional. Entre suor, emoção e paisagens encantadoras, Campo Grande mais uma vez deu exemplo de organização e hospitalidade. A corrida foi, acima de tudo, um símbolo da força da comunidade e da paixão do povo sul-mato-grossense pelo movimento e pela vida ao ar livre.

 

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

BIENAL DO LIVRO EM CG

De 4 a 12 de outubro de 2025, o coração do Pantanal se transforma em um grande ponto de encontro da literatura, da arte e da cultura. A capital sul-mato-grossense vai sediar a  Bienal do Livro de Mato Grosso do Sul, no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, no Parque dos Poderes, em Campo Grande (MS).

Com entrada gratuita, a Bienal promete ser o maior evento literário já realizado no estado, reunindo editoras, escritores, artistas, educadores e o público leitor em nove dias de intensa programação.

📚 Um festival de livros e ideias

Mais de 200 editoras estarão presentes, com cerca de 20 mil títulos disponíveis e 70 toneladas de livros prontos para encantar leitores de todas as idades. Além das vendas e lançamentos, o evento oferece oficinas, palestras, debates, mostras de cinema, exposições e apresentações culturais, fortalecendo a cena literária e criativa do Mato Grosso do Sul.

✍️ Homenagem a Manoel de Barros

A primeira Bienal presta uma homenagem especial ao poeta Manoel de Barros, um dos maiores nomes da literatura brasileira, cuja obra traduz a essência do Pantanal e o poder poético das pequenas coisas. O evento celebra sua linguagem inventiva e seu legado como símbolo da identidade sul-mato-grossense.

🌿 Cultura, educação e inclusão

A Bienal Pantanal é mais do que um espaço de compra e venda de livros — é um movimento pela leitura, pela diversidade cultural e pela democratização do acesso ao conhecimento. Escolas, universidades, artistas independentes e coletivos culturais terão presença marcante na programação.

📅 De 4 a 12 de outubro de 2025
📍 Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo – Parque dos Poderes, Campo Grande (MS)
🎟️ Entrada gratuita

A literatura vai ocupar Campo Grande!
Participe da Bienal do Livro de Mato Grosso do Sul e viva essa celebração da palavra, da imaginação e do Pantanal.

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Câmara aprova isenção de IR para salários de até R$ 5 mil; alta renda terá aumento na tributação

 


A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira (1º), o projeto de lei que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para trabalhadores que ganham até R$ 5 mil mensais. O texto, de autoria do governo Lula, foi aprovado por unanimidade, com 493 votos favoráveis — incluindo toda a oposição.

A proposta segue agora para análise do Senado, onde o governo espera manter a ampla maioria obtida na Câmara. Caso seja aprovado, Lula cumprirá uma das principais promessas de campanha.

Quem ganha até R$ 5 mil

Atualmente, a isenção do IRPF vale apenas para rendas de até R$ 3.036. Com a mudança, cerca de 10 milhões de trabalhadores deixarão de pagar imposto.

Faixa intermediária: R$ 5 mil a R$ 7.350

O projeto também prevê descontos progressivos para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7.350, evitando que trabalhadores com renda logo acima da isenção tenham prejuízo no salário líquido.

Quem vai pagar mais

Para compensar a queda na arrecadação, haverá aumento da taxação sobre os mais ricos. O PL cria uma alíquota mínima para quem recebe acima de R$ 50 mil mensais. Essa taxa sobe gradualmente até chegar a 10% para rendimentos acima de R$ 100 mil.

Hoje, o grupo que está entre os 0,1% mais ricos do país — cerca de 200 mil pessoas, com renda média mensal de R$ 392 mil — paga em média 7,4% de IRPF. Com a nova regra, esse percentual sobe para, no mínimo, 10%.

Profissionais que atuam como pessoa jurídica

Atualmente, rendimentos distribuídos como dividendos são isentos de IRPF. Pela proposta, quem recebe mais de R$ 50 mil mensais em dividendos passará a ser tributado, com incidência mínima de 2,5% e chegando a 10% na faixa mais alta.

Impacto esperado

Segundo estimativas do Ministério da Fazenda, cerca de 10 milhões de brasileiros serão beneficiados com isenção e descontos, enquanto a cobrança extra recairá sobre um pequeno grupo de alta renda — aproximadamente 0,2% da população.

O relator do projeto, deputado Arthur Lira (PP-AL), praticamente manteve o texto do governo, elaborado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Agora, o governo trabalha para que o Senado aprove a proposta rapidamente, garantindo a sanção presidencial ainda em 2025.

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Vale da Celulose impulsiona geração de empregos em Mato Grosso do Sul, mas crescimento traz novos desafios sociais

 

O Vale da Celulose, região criada oficialmente em maio deste ano pela Lei Estadual nº 6.404, já desponta como um dos motores da economia de Mato Grosso do Sul. Marcada pela expansão das plantações de eucalipto e pela instalação de grandes indústrias de celulose, a área formada por 13 municípios registrou a criação de 27.198 empregos formais apenas no primeiro semestre de 2025.

O número impressiona: equivale praticamente à população inteira de Costa Rica (28,7 mil habitantes), segundo estimativa do IBGE.

Saldo positivo de admissões

Entre janeiro e julho, os cinco principais municípios do polo – Água Clara, Bataguassu, Inocência, Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas – contabilizaram 266.041 admissões e 238.843 desligamentos, conforme levantamento da Funtrab (Fundação do Trabalho de MS), com base nos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

As vagas surgem em diferentes setores: indústria, comércio, serviços e construção civil. Contudo, a base da expansão está diretamente ligada à cadeia do eucalipto. A ocupação que mais contratou foi a de trabalhador de extração florestal, responsável pelo corte, classificação e reflorestamento. Em seguida aparecem motoristas de caminhão e alimentadores de linha de produção, funções essenciais no funcionamento das fábricas.

Ribas do Rio Pardo: epicentro da transformação

Em Ribas do Rio Pardo, a apenas 98 km de Campo Grande, o impacto da celulose é visível no dia a dia. “Em média, são oferecidas de 250 a 300 vagas todos os dias. E, graças a Deus, tem bastante demanda”, afirma o prefeito Roberson Luiz Moureira (PSDB).

O município, que tinha 23 mil moradores em 2020, já se aproxima dos 30 mil habitantes em 2025. Esse crescimento acelerado trouxe não apenas oportunidades, mas também déficit de moradia, pressão sobre escolas e necessidade de novos serviços urbanos. Para mitigar o problema, a Suzano entregou 954 unidades habitacionais, enquanto outros projetos, incluindo a construção de mais 600 casas, estão em andamento.

De acordo com a Funtrab, entre 2020 e 2025, Ribas registrou 58.868 admissões e 52.803 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 6.065 empregos formais.

Inocência: de pacata a promissora

Com apenas 8,4 mil habitantes, o município de Inocência vivia um cenário de estagnação até pouco tempo atrás – inclusive com saldo negativo de empregos em 2022. O cenário mudou radicalmente com o anúncio da instalação de uma fábrica da chilena Arauco, gigante mundial do setor de celulose.

A pedra fundamental foi lançada em abril de 2025, em cerimônia que contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin. No pico das obras, a previsão é de 14 mil empregos diretos e indiretos. Quando a fábrica entrar em operação, serão seis mil vagas permanentes, transformando a cidade em um novo polo industrial.

Em 2024, antes mesmo da obra, o município já havia registrado saldo positivo de 1.525 empregos, puxados principalmente pelo setor de serviços, que se aqueceu com a expectativa do empreendimento.

Bataguassu: investimento bilionário da Bracell

Outra cidade que deve ter sua economia redesenhada é Bataguassu, com 23 mil habitantes. O município receberá a nova fábrica da Bracell, fruto de um investimento de R$ 16 bilhões.

Durante a fase de construção, a previsão é de 12 mil empregos diretos e indiretos, com expectativa de movimentar não apenas o mercado de trabalho, mas também o setor imobiliário e de serviços. Quando entrar em operação, a unidade deve gerar cerca de 2 mil postos permanentes.

Estruturação do polo regional

Além de Ribas do Rio Pardo, Inocência e Bataguassu, o Vale da Celulose reúne os municípios de Água Clara, Aparecida do Taboado, Brasilândia, Cassilândia, Nova Alvorada do Sul, Paranaíba, Santa Rita do Pardo, Selvíria e Três Lagoas.

A inclusão desses municípios consolida a região como um dos principais polos de geração de emprego e renda de Mato Grosso do Sul, ampliando a relevância do Estado no mapa nacional da celulose – setor estratégico para exportações brasileiras.

Crescimento econômico e desafios sociais

O ritmo acelerado do desenvolvimento, porém, vem acompanhado de novos desafios. A rápida urbanização pressiona serviços básicos como saúde, educação, transporte e habitação. Autoridades locais e estaduais têm buscado parcerias com as próprias empresas do setor para investir em infraestrutura.

De acordo com especialistas, a região caminha para se tornar um dos maiores complexos florestais e industriais do país, mas a consolidação do polo dependerá do equilíbrio entre crescimento econômico e sustentabilidade social.