terça-feira, 3 de março de 2026

Lançamento do Programa de Agroindustrialização da Agricultura Familiar em MS

Abertura do evento.
 Foi lançado na manhã desta segunda-feira (2), em Campo Grande, o Programa de Agroindustrialização da Agricultura Familiar de Mato Grosso do Sul. Com um investimento inicial de R$ 10 milhões, a iniciativa visa fortalecer a produção e promover a agregação de valor aos produtos do campo no estado.

O montante é fruto de emendas parlamentares dos deputados federais Vander Loubet e Camila Jara, além de recursos propostos pelo deputado estadual Zeca do PT. Durante o ato, a senadora Soraya Thronicke (Podemos) anunciou o aporte adicional de mais R$ 5 milhões, ampliando o fôlego financeiro do programa.

O evento contou com a presença de autoridades como Paulo Roberto da Silva, superintendente do Incra/MS; Marina Ricardo Nunes Viana, superintendente estadual do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA); e Karla Bethânia Ledesma de Nadai, secretária-executiva da (SEMADESC).

Em seu discurso, o deputado Zeca do PT ressaltou que o setor demanda investimentos que viabilizem tanto a industrialização quanto a melhoria da infraestrutura básica, citando a instalação de poços artesianos e placas solares. Para o parlamentar, o lançamento representa um passo decisivo na construção de políticas públicas eficazes, capazes de transformar a realidade de assentados, pequenos produtores, indígenas e quilombolas.

 

Autoridades presentes no evento.

domingo, 1 de março de 2026

Manifestação reúne direita de Mato Grosso do Sul no Centro de Campo Grande com críticas ao governo federal e ao STF

Campo Grande (MS) — Um ato político com viés ideológico de direita foi realizado na manhã de 1º de março de 2026, na Praça do Rádio, entre a Rua Padre João Crippa e a Avenida Afonso Pena, região central de Campo Grande. A mobilização teve início às 9h e foi encerrada pouco depois das 11h, reunindo aproximadamente 250 participantes.

Sem registro de incidentes, sem presença de grupos oposicionistas e sem indícios de incitação à violência, o evento transcorreu de forma organizada. Cerca de 10 agentes de segurança pública, entre policiais militares e guardas civis metropolitanos, acompanharam a manifestação.

Discursos e posicionamentos

Cartazes e falas no carro de som trouxeram críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. O tom predominante foi de contestação institucional, com ênfase em pautas relacionadas à liberdade de expressão e à defesa de mudanças no cenário político nacional.

Entre os presentes esteve Cassy Monteiro, 1ª suplente de vereadora pelo PL-MS e apontada como liderança do movimento JUNTOS MS. Em seu discurso, convidou os participantes a se unirem em oração. Pediu a Deus proteção às famílias brasileiras, às crianças e ao futuro do país, imprimindo ao ato um componente simbólico e religioso que foi acompanhado por parte do público em silêncio respeitoso.

 O vereador André Salineiro afirmou, em sua fala, que os recentes casos de corrupção envolvendo o atual governo federal reforçam, segundo ele, a necessidade de mobilização permanente da sociedade civil. Salineiro sustentou que o país vive momento de fragilidade institucional e defendeu maior vigilância popular sobre os poderes constituídos.

 Já o deputado federal Rodolfo Nogueira declarou que, dos cerca de 300 parlamentares eleitos com vinculação política à figura do ex-presidente Jair Bolsonaro, apenas aproximadamente 80 permaneceriam, segundo ele, “verdadeiramente leais”. Nogueira afirmou que esse grupo continuará a lutar pela chamada “verdadeira PEC da Anistia” e manifestou apoio ao pré-candidato Flávio Bolsonaro, defendendo a consolidação de um projeto político alinhado ao conservadorismo nacional.

 Presença política

Também participaram do ato:

  • João Henrique Catan

  • Rafael Tavares

  • Capitão Contar

Além de lideranças locais e apoiadores vinculados ao movimento JUNTOS MS.

Ao término da manifestação, foi realizada uma carreata acompanhada pela Guarda Civil Metropolitana, com cerca de 30 carros e 25 motocicletas.

Contexto e possíveis desdobramentos

O ato ocorre em ambiente político nacional ainda marcado por forte polarização ideológica. Em Mato Grosso do Sul, estado historicamente associado a um eleitorado de perfil conservador, mobilizações dessa natureza encontram terreno fértil para articulação e consolidação de bases.

Ainda que o número de participantes tenha sido moderado, a presença de parlamentares e pré-candidatos indica estratégia de manutenção de visibilidade pública e engajamento orgânico. A tendência é que novos atos sejam convocados nos próximos meses, especialmente se debates em Brasília relacionados à anistia, decisões do Supremo ou denúncias envolvendo o Executivo federal reacenderem a mobilização de grupos alinhados à direita.

Impacto político

No cenário municipal e estadual, o evento reforça o posicionamento de lideranças que buscam ampliar capital político para os próximos pleitos. Nacionalmente, manifestações dessa natureza mantêm ativo o debate sobre anistia, fidelidade partidária e reorganização das forças conservadoras.

A Praça do Rádio, tradicional espaço de expressão cívica na capital sul-mato-grossense, foi novamente palco de manifestação política pacífica, evidenciando que, apesar das divergências ideológicas, o exercício do direito de reunião permanece inserido dentro da normalidade democrática.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Vitória indígena: Governo revoga decreto de privatização de hidrovias na Amazônia após 30 dias de protestos. O que muda para o MS?

Rio Paraguai uma das principais hidrovias do MS
 O Decreto nº 12.600, assinado em 28 de agosto de 2025 pelo governo federal, dispunha sobre a inclusão de importantes empreendimentos hidroviários no Programa Nacional de Desestatização (PND), facilitando a concessão de trechos dos rios Madeira (RO/AM), Tocantins (PA/TO) e Tapajós (PA) à iniciativa privada. 

Objetivo da norma assinada pelo presidente Luiz Inácio previa: Privatização/concessão de hidrovias estratégicas na Amazônia para o escoamento de grãos (Arco Norte), prevendo dragagens (aprofundamento) e derrocamento de rochas em cerca de 3 mil quilômetros de rios.

No entanto, a referida norma gerou conflito, uma vez que o decreto previa intervenções sem a consulta prévia, livre e informada às populações tradicionais, conforme exigido pela Convenção 169 da OIT.

Devido a intensa mobilização indígena e protestos que duraram mais de 30 dias na região amazônica, Indígenas ocuparam o terminal da Cargill em Santarém (PA) para exigir a revogação.  Nesse sentido o governo revogou o decreto em 23 de fevereiro de 2026.

Vitória indígena: A revogação foi vista como uma vitória da proteção ambiental e dos direitos dos povos indígenas, impedindo a transformação dos rios em corredores exclusivos de commodities. 

Impactos da Revogação em Mato Grosso do Sul (MS) e outros Estados

A revogação tem repercussões indiretas em estados produtores de grãos, como Mato Grosso do Sul, especialmente na logística de exportação:

Logística do Arco Norte: A não concretização da concessão do Rio Madeira e Tapajós mantém a incerteza sobre a agilidade no escoamento de grãos produzidos no Centro-Oeste através dos portos do Norte. Impacto direto no Custo do Frete: Empresas de agronegócio que planejavam custos menores pelo Arco Norte (em vez dos portos do Sudeste/Sul) podem enfrentar gargalos logísticos.

Precedente Ambiental: O fortalecimento do entendimento de que projetos de infraestrutura não podem ser impostos sem consulta prévia (Convenção 169 da OIT) pode impactar futuros projetos de hidrovias no MS, como intervenções no Rio Paraguai.

Foco na Sustentabilidade: Com a revogação, projetos de transporte hidroviário precisarão, obrigatoriamente, incluir estudos de impacto ambiental e social mais rigorosos, reduzindo a velocidade de obras privatistas no setor hidroviário.

Por fim, a revogação freia a privatização de rios no Norte, obrigando o governo a rediscutir modelos logísticos que não destruam a biodiversidade amazônica, gerando um efeito de "alerta" para projetos de grande escala em outras bacias brasileiras, como a do Pantanal.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Caminhada pela liberdade e anistia reúne cerca de 300 pessoas em Campo Grande e se conecta a mobilização nacional liderada por Nikolas Ferreira

 

Caminhada "Acorda Brasil". (Wagner Santana, Planeta Oeste)

Campo Grande (MS), 25 de janeiro de 2026 — Cerca de 300 pessoas participaram, na manhã deste domingo (25), de uma caminhada pela liberdade e pela anistia dos presos pelos atos de 8 de janeiro. A concentração ocorreu às 9h, na Praça do Rádio Clube, no centro da Capital, e o grupo seguiu em marcha pela Avenida Afonso Pena até a sede do Ministério Público Federal (MPF). O ato foi organizado pelo movimento Juntos MS, com atuação direta e ativa dos vereadores André Salineiro (PL) e Rafael Tavares (PL) na mobilização, articulação e condução do evento.

Caminhada "Acorda Brasil". (Wagner Santana, Planeta Oeste)

 A manifestação em Campo Grande se insere em um contexto nacional de retomada das mobilizações de rua por grupos conservadores e foi inspirada na caminhada do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em direção a Brasília. A iniciativa de Nikolas, que ganhou grande repercussão nas redes sociais e na imprensa, tem como objetivo pressionar por anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e por mudanças no sistema político-eleitoral. Em vários estados, lideranças locais passaram a organizar atos simbólicos alinhados à mesma pauta — como ocorreu em Mato Grosso do Sul.

Durante o percurso, manifestantes vestiam camisetas com frases como “Acorda Brasil” e carregavam faixas com dizeres como “Justiça e Liberdade”. As pautas centrais do ato foram: críticas ao Judiciário, defesa da anistia aos presos do 8 de janeiro e a reivindicação por contagem pública de votos.

Foto (Wagner Santana, Planeta Oeste)

A caminhada foi acompanhada por equipes da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar, que garantiram a segurança do trajeto e a fluidez do trânsito. Não houve registros de tumultos, confrontos ou presença de grupos contrários. Um carro de apoio distribuiu água aos participantes e recolheu copos descartáveis ao longo do percurso, evitando o acúmulo de lixo.


 Em entrevista, o vereador André Salineiro, que esteve à frente da organização do ato em conjunto com o Juntos MS, afirmou estar satisfeito com a adesão.
“Reuniu mais gente do que esperávamos. A população está acordando para a importância de voltar às ruas. Era um clamor dos eleitores: que os políticos saíssem das redes sociais e voltassem ao contato direto com o povo”, declarou.

 O vereador Rafael Tavares, também organizador da mobilização, destacou a ligação direta com o movimento iniciado por Nikolas Ferreira.

“Fomos inspirados pela caminhada do deputado Nikolas até Brasília. Mesmo que o nosso ato aqui seja simbólico, não poderíamos deixar de fazer algo em Campo Grande. Precisávamos mostrar que Mato Grosso do Sul também está mobilizado”, afirmou.

Vereadores Rafael Tavares (esq) e André Salineiro (dir). (Wagner Santana, Planeta Oeste)

No carro de som, o procurador Felipe Gimenez discursou a favor do voto impresso e criticou o atual modelo de votação eletrônica. Segundo ele, “não é possível confiar plenamente no processo eleitoral da forma como está hoje”, defendendo maior transparência e auditoria pública.

Procurador Felipe Gimenez em discurso. (Wagner Santana, Planeta Oeste)
 A manifestação foi coberta pelos veículos Midiamax e TopMídia News e se encerrou por volta das 11h, com os participantes chegando ao MPF de forma ordeira.

Além de Campo Grande, houve mobilização relacionada ao movimento “Acorda Brasil” em Cuiabá (MT), onde cinco pessoas realizaram colagem e distribuição de adesivos. A ação foi coordenada pela liderança Vandinho Patriota.

A caminhada em Campo Grande reforça a estratégia de nacionalização da pauta da anistia e da crítica ao sistema político-judicial, conectando lideranças locais a uma mobilização mais ampla que tem em Nikolas Ferreira uma de suas principais referências públicas.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Venezuelanos comemoram prisão de Maduro em Campo Grande

 

Cerca de 40 imigrantes venezuelanos se reuniram na tarde deste domingo (4), em Campo Grande, para celebrar a prisão do ex-ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. O grupo comemorou o desfecho ocorrido no sábado (3), quando Maduro foi detido durante uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos, fato que reacendeu a esperança de mudanças profundas no cenário político do país sul-americano.

Portando faixas, bandeiras da Venezuela e cartazes com mensagens de apoio à democracia, os manifestantes se concentraram na Praça do Rádio Clube. O ato teve caráter pacífico e simbólico, marcado por discursos emocionados, cânticos e relatos pessoais de quem deixou a Venezuela forçado pela crise política, econômica e humanitária. Para muitos, a prisão de Maduro representa o início de uma nova fase e a possibilidade concreta de reconstrução institucional do país.

Mesmo diante da expectativa de transformação política, parte dos participantes afirma não pretender retornar à Venezuela. Muitos já reconstruíram suas vidas no Brasil, onde encontraram segurança, trabalho e estabilidade após anos de incertezas. Atualmente, Campo Grande abriga cerca de 5 mil refugiados venezuelanos, enquanto o número em todo o Mato Grosso do Sul chega a aproximadamente 12 mil.

A presidente da Associação Venezuelana de Campo Grande, Mirtha Carpio, destacou que o regime chavista foi responsável por um longo período de fome, repressão e sofrimento generalizado. Ela deixou a Venezuela em 2008, após sofrer perseguição política, e afirma que a situação no país se deteriorou ainda mais ao longo dos anos.

“Posso resumir tudo em pobreza extrema. As pessoas estão saindo do país doentes, porque não há medicamentos, não há comida, não há o mínimo para sobreviver. O sistema destruiu completamente a dignidade da população. Para nós, este momento representa a celebração do início de uma transição rumo à liberdade”, afirmou.

Estabelecida em Campo Grande, Mirtha diz não ter planos de retornar à terra natal, por considerar que construiu uma vida estável no Brasil. Na avaliação dela, a presidente interina Delcy Rodríguez deve assumir a condução do processo de transição política.

“Imagino que será um período complexo, que exigirá muita administração, diálogo e cooperação internacional. Ela [Delcy] deverá atuar como uma coordenadora desse processo, inclusive com apoio dos Estados Unidos. A partir disso, será necessário dar continuidade às reformas e reconstruir as instituições”, opinou.

Outra participante do ato foi a cientista política Lourdes Montilla, que deixou a Venezuela há oito anos para escapar da perseguição política. Antes de se estabelecer no Brasil, onde vive há três anos, ela passou cinco anos no Peru. Lourdes relembra com pesar os momentos mais críticos vividos ainda em seu país de origem, quando a fome se tornou parte da rotina.

“Houve momentos em que precisei comer comida de cachorro para sobreviver. Esse é o nível de degradação a que chegamos”, relatou.

Ela descreveu com emoção o momento em que assistiu à prisão de Maduro. “Não foi um ataque ou um bombardeio, como muitos imaginam. Foi a extração de um ditador. Eu chamo de uma operação cirúrgica: precisa, direta e objetiva. Isso é algo extraordinário, porque evitou um colapso maior. Sempre existem danos colaterais, mas, infelizmente, esse é um preço que o povo venezuelano já paga há muitos anos”, afirmou.

O ato em Campo Grande terminou com aplausos, orações e mensagens de solidariedade ao povo venezuelano, em um clima de esperança cautelosa quanto aos próximos passos do processo político no país.