terça-feira, 30 de junho de 2026

Crise na Saúde Indígena: Lideranças ocupam Dsei em Campo Grande e exigem saída de coordenador



Na manhã desta terça-feira (30), cerca de 100 indígenas ocuparam a sede do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) em Campo Grande, impedindo a entrada de funcionários. A situação escalou a ponto de equipes da Polícia Federal irem até o local para tentar mediar o acesso ao prédio.

O movimento, organizado por caciques e lideranças, tem um alvo claro: a exoneração imediata do coordenador do órgão, Lindomar Terena.

O que as comunidades estão denunciando?

Cartazes colados no portão do Dsei dão o tom do protesto: “A base das comunidades pede socorro” e “O descaso com a saúde indígena não pode continuar”.

De acordo com Célio Fialho Terena, coordenador da Comunidade Terena, a insatisfação vem de problemas estruturais graves e recorrentes:

  • Falta do básico: Escassez de remédios, problemas no abastecimento de água e equipes médicas insuficientes nas aldeias.

  • Logística travada: Falta de transporte adequado para atender as comunidades.

  • Sumiço de materiais: As lideranças cobram explicações sobre o desaparecimento de pneus de veículos oficiais e de mais de 100 celulares que deveriam ser entregues a agentes de saúde.

  • Falta de diálogo: Os manifestantes exigem uma gestão que saia do gabinete, visite as bases e ouça as demandas reais do povo. Vale lembrar que, em março deste ano, o grupo já havia ocupado o local por três dias pelo mesmo motivo.

Racha interno e acusações de perseguição

A crise não é apenas externa. O próprio coordenador substituto do Dsei, Genilson Duarte, se posicionou a favor dos manifestantes e expôs um racha administrativo na gestão.

“A gestão tem colocado em indisponibilidade servidores que apoiam a oposição. São pessoas que não têm nada que desabone. Eu me posicionei contra assédios, demissões e perseguições, e ao lado dos trabalhadores. Isso gerou uma crise na gestão e, inclusive, nos colocou em indisponibilidade”, afirmou Genilson.

O outro lado: O que diz o coordenador?

Lindomar Terena, o coordenador contestado, chegou ao prédio por volta das 10h20 e rebateu as acusações ponto a ponto:

  • Sobre as viaturas: Afirmou que a frota nova está no pátio pronta para entrega e que os atrasos se devem à espera por motoristas de polos como Dourados para fazer a retirada.

  • Sobre os celulares: Garantiu que os aparelhos foram distribuídos e que possui documentos assinados que comprovam a entrega em todos os polos-base.

  • Sobre as demissões: Justificou que os servidores de carreira devolvidos ao Ministério da Saúde estavam "sem função" e fazendo pedidos de viagem sem justificativa concreta. Sobre outras demissões de terceirizados ou comissionados, alegou tratar-se de “mudanças técnicas da nova gestão, que não precisam ser justificadas”.

A ocupação continua e as lideranças prometem resistir até que providências sejam tomadas de Brasília.

Como você enxerga a gestão da saúde indígena na sua região? Acha que a pressão das lideranças vai surtir efeito dessa vez? Deixe seu comentário abaixo e participe do debate!

Com foco em infraestrutura e reforma agrária, presidente Lula cumpriu agenda estratégica em Mato Grosso do Sul

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu uma agenda intensa em Mato Grosso do Sul. A visita reforça a relevância do estado para os planos de desenvolvimento do Governo Federal, dividindo-se entre o anúncio de grandes investimentos industriais e ações de forte impacto social e logístico na região de fronteira.

A passagem do chefe do Executivo federal mobilizou lideranças locais, empresários do setor do agronegócio e movimentos sociais, consolidando parcerias estratégicas para o crescimento econômico e a infraestrutura sul-mato-grossense.

Retomada da UFN3 em Três Lagoas

A agenda presidencial começou cedo na região leste do estado. O presidente desembarcou no Aeroporto Municipal Plínio Alarcom, em Três Lagoas, e seguiu diretamente para uma visita técnica às instalações da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3).

Logo após a vistoria, o presidente participou do anúncio oficial da retomada das obras da fábrica de fertilizantes. O projeto, que estava paralisado, é considerado essencial para reduzir a dependência brasileira da importação de insumos agrícolas e impulsionar a competitividade do agronegócio nacional.

Compromissos em Ponta Porã: Reforma agrária e logística

Na sequência, a comitiva presidencial seguiu para Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai. Na cidade, o foco das ações dividiu-se entre o desenvolvimento rural e a modernização dos modais de transporte regionais.

📌 Destaques das entregas na região de fronteira:

  • Títulos de terra: Entrega de 1.390 títulos de domínio para famílias assentadas de diferentes municípios sul-mato-grossenses.
  • Apoio às famílias: Liberação de recursos para habitação rural, créditos voltados ao Programa Fomento Mulher e aquisição de novas áreas destinadas à reforma agrária.
  • Infraestrutura aérea: Inauguração das obras de melhoria e modernização do Aeroporto Internacional de Ponta Porã, fortalecendo a conectividade e o turismo local.

👁️ O que essa visita representa para o futuro do estado?

A nova passagem de Lula por Mato Grosso do Sul deixa claro que o estado ocupa um papel central em uma estratégia que busca equilibrar duas frentes fundamentais: a industrialização de base tecnológica e o fortalecimento social no campo.

A reativação da UFN3 em Três Lagoas posiciona a região como um polo estratégico para a soberania alimentar e de insumos do país. Ao mesmo tempo, as entregas em Ponta Porã trazem dignidade jurídica e econômica para milhares de famílias assentadas, além de modernizar rotas comerciais fundamentais na fronteira. Para o morador sul-mato-grossense, o sucesso dessas iniciativas promete se traduzir em novos postos de trabalho, atração de investimentos privados e robustecimento da infraestrutura urbana nos próximos anos.



quarta-feira, 17 de junho de 2026

Conflito no Campo: PM Retira Indígenas Após Invasão e Destruição de Fazendas em MS

 


A tensão voltou a escalar no ambiente rural de Mato Grosso do Sul no último domingo. Em uma operação rápida, a Polícia Militar desocupou duas propriedades rurais que haviam sido invadidas por um grupo de indígenas em Sidrolândia.

A ação ocorreu nas fazendas Água Clara e São Sebastião. O cenário encontrado pelas autoridades foi de rastro de destruição, levantando novamente o debate sobre segurança jurídica e conflitos fundiários na região.

O Impacto da Invasão: Fogo, Furtos e Barricadas

De acordo com informações da TV Morena, a invasão não se limitou à ocupação do espaço. Imagens registradas pela corporação revelaram um cenário de forte vandalismo na Fazenda São Sebastião:

  • Casas destruídas: Residências da propriedade foram completamente consumidas pelo fogo.

  • Prejuízo ao maquinário: Equipamentos e máquinas agrícolas foram intencionalmente danificados.

  • Barricadas na pista: Árvores foram derrubadas para bloquear as estradas e atrasar a chegada das viaturas policiais.

  • Furtos na área: Houve registro de roubo de insumos agrícolas, gado e cavalos.

Após o esvaziamento das áreas, equipes da perícia técnica foram acionadas para mensurar o tamanho do prejuízo financeiro. Policiais militares seguem monitorando a região para evitar novas tentativas de ocupação. O caso agora está sob os cuidados da Polícia Civil.

Lideranças Indígenas Negam Envolvimento

Um ponto que chama a atenção na dinâmica do ocorrido é o posicionamento da própria comunidade local. Em nota oficial, lideranças da Terra Indígena Buriti afirmaram categoricamente que nem os integrantes da comunidade, nem os caciques da aldeia tinham conhecimento ou deram aval para a invasão dessas propriedades. Tudo indica que o ato foi conduzido por um grupo isolado.

Famasul Emite Nota de Repúdio

A Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) manifestou-se publicamente com duras críticas ao episódio. A entidade classificou a ação como um ato criminoso e destacou o impacto devastador para o produtor rural.



segunda-feira, 8 de junho de 2026

O impasse: Logística versus Preservação


A mobilização popular acontece em um momento crítico, em meio ao avanço de projetos voltados à expansão portuária na região de Corumbá e às discussões sobre a viabilidade econômica da hidrovia no Rio Paraguai.

O tema divide opiniões e gera intensos debates entre diferentes setores da sociedade:

Defensores do projeto: Apontam o alto potencial logístico da hidrovia para o escoamento de commodities e cargas, barateando o transporte na região.

Críticos e ambientalistas: Alertam para os impactos severos e irreversíveis ao bioma do Pantanal, especialmente a alteração do ciclo das águas e os riscos agravados durante os períodos de estiagem extrema.

Por fim em um cenário de mudanças climáticas severas, onde o Pantanal tem enfrentado secas históricas e incêndios devastadores, a insistência em projetos que alteram a dinâmica natural das águas acende o alerta de cientistas e ambientalistas. Por outro lado, a pressão do setor produtivo por rotas mais baratas testa os limites das políticas de desenvolvimento sustentável do país.