A Violência Contra a Mulher Como Prioridade Nacional
A decisão de colocar a pauta feminina no topo das reivindicações responde ao aumento expressivo dos índices de agressão e assassinatos de mulheres registrados ao longo do ano. Para os organizadores do manifesto, não é possível falar em independência nacional enquanto milhares de mulheres continuam expostas ao perigo dentro de suas próprias casas e comunidades.
O movimento exige o fortalecimento imediato das redes de atendimento, com a criação de novas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e a ampliação de unidades da Casa da Mulher Brasileira. Além disso, defende a gratuidade nos processos judiciais para vítimas de agressão e o incentivo a programas governamentais de capacitação, empregabilidade e moradia, garantindo que as mulheres tenham autonomia financeira para romper o ciclo da violência.
Uma Luta Integrada por Direitos Sociais
A defesa das mulheres conecta-se diretamente a outras demandas históricas do movimento popular. O manifesto deste ano também defende o direito à moradia digna, por meio da regularização fundiária e do investimento em habitação para famílias de baixa renda, muitas das quais são chefiadas por mulheres solo.
No campo do trabalho e da economia, os participantes reivindicam o fim da jornada de trabalho 6x1, além de melhores condições salariais e valorização profissional. A pauta inclui ainda o fortalecimento da educação pública, do Sistema Único de Saúde (SUS) e de ações estruturantes de segurança nas periferias, reforçando que a paz social só se constrói com justiça e igualdade de oportunidades.
Por Que o Grito dos Excluídos Continua Atual?
Criado na década de 1990, o Grito dos Excluídos surgiu como uma alternativa crítica aos desfiles oficiais do 7 de Setembro, convidando a população a deixar a posição de espectadora para se tornar protagonista de suas próprias reivindicações.
Ao unir o combate ao machismo estrutural às lutas por terra, teto e trabalho, a manifestação lembra que a soberania de um país depende, antes de tudo, da garantia do direito fundamental à vida e à dignidade para todas as pessoas.