terça-feira, 8 de setembro de 2026

Grito dos Excluídos 2026: A Luta pelo Fim da Violência Contra a Mulher

 


O Outro Lado do 7 de Setembro: Manifestação pela Vida e Dignidade

Enquanto as avenidas centrais se preparam para os tradicionais desfiles do Dia da Independência, movimentos sociais, coletivos comunitários e cidadãos organizados voltam a ocupar o espaço público por uma causa urgente. Em 2026, a 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas escolheu como eixo principal a defesa da vida das mulheres, colocando a erradicação do feminicídio e da violência doméstica no centro das atenções.

Com o lema "Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!", a mobilização traz para o debate público dados alarmantes sobre os crimes de gênero que afetam milhares de brasileiras todos os dias. O objetivo é transformar a data cívica em um momento de cobrança por políticas públicas efetivas e proteção real.


A Violência Contra a Mulher Como Prioridade Nacional

A decisão de colocar a pauta feminina no topo das reivindicações responde ao aumento expressivo dos índices de agressão e assassinatos de mulheres registrados ao longo do ano. Para os organizadores do manifesto, não é possível falar em independência nacional enquanto milhares de mulheres continuam expostas ao perigo dentro de suas próprias casas e comunidades.

O movimento exige o fortalecimento imediato das redes de atendimento, com a criação de novas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e a ampliação de unidades da Casa da Mulher Brasileira. Além disso, defende a gratuidade nos processos judiciais para vítimas de agressão e o incentivo a programas governamentais de capacitação, empregabilidade e moradia, garantindo que as mulheres tenham autonomia financeira para romper o ciclo da violência.


Uma Luta Integrada por Direitos Sociais

A defesa das mulheres conecta-se diretamente a outras demandas históricas do movimento popular. O manifesto deste ano também defende o direito à moradia digna, por meio da regularização fundiária e do investimento em habitação para famílias de baixa renda, muitas das quais são chefiadas por mulheres solo.

No campo do trabalho e da economia, os participantes reivindicam o fim da jornada de trabalho 6x1, além de melhores condições salariais e valorização profissional. A pauta inclui ainda o fortalecimento da educação pública, do Sistema Único de Saúde (SUS) e de ações estruturantes de segurança nas periferias, reforçando que a paz social só se constrói com justiça e igualdade de oportunidades.

Por Que o Grito dos Excluídos Continua Atual?

Criado na década de 1990, o Grito dos Excluídos surgiu como uma alternativa crítica aos desfiles oficiais do 7 de Setembro, convidando a população a deixar a posição de espectadora para se tornar protagonista de suas próprias reivindicações.

Ao unir o combate ao machismo estrutural às lutas por terra, teto e trabalho, a manifestação lembra que a soberania de um país depende, antes de tudo, da garantia do direito fundamental à vida e à dignidade para todas as pessoas.

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