quinta-feira, 24 de abril de 2025

Onça ataca caseiro em MS

O caseiro Jorge Ávalos, de 60 anos, foi atacado e morto por uma onça-pintada na região de Touro Morto, município de Aquidauana, Mato Grosso do Sul, na segunda-feira, 21 de abril de 2025, mobilizando equipes da Polícia Militar Ambiental e pesquisadores em uma área de difícil acesso do Pantanal sul-mato-grossense. 

Na madrugada de 24 de abril, um macho de 94 kg apontado como autor do ataque foi capturado por uma força-tarefa formada por pesquisadores, guias e policiais ambientais, recebendo cuidados iniciais (acesso venoso e monitor cardíaco) antes de ser levado a um centro de reabilitação, onde sua condição será investigada. Entre as hipóteses em análise estão comportamento defensivo, escassez de presas em razão das cheias sazonais, possível período reprodutivo do animal e atitude involuntária da vítima que teria despertado a resposta do felino. 

O caso evidencia a necessidade de práticas preventivas, educação ambiental e manejo integrado para facilitar a convivência humana com a onça-pintada, espécie-chave para o equilíbrio do Pantanal e foco de programas de conservação.

O Incidente

Local e Circunstâncias

Na manhã de 21 de abril de 2025, Jorge Ávalos realizava tarefas de manutenção em um deck próximo à mata no pesqueiro Touro Morto, às margens do Rio Miranda, quando foi surpreendido pela onça-pintada. A área, situada a cerca de 150 km de Miranda, em Aquidauana (MS), é caracterizada por vegetação densa e alagamentos frequentes durante o período de chuvas, o que dificulta a circulação de pessoas e veículos.

Cronologia dos Eventos

  • 21/04/2025: Ataque ocorrido; vítima sumiu após ser arrastada para dentro da mata.

  • 22–23/04/2025: Família, policiais ambientais e guias localizam partes do corpo próximas a uma toca onde repousava a onça.

  • 24/04/2025: Captura do animal de 94 kg; iniciados primeiros cuidados veterinários antes de envio a um centro de reabilitação em Campo Grande.

Fatores Contribuintes

Escassez de Alimento e Ciclo de Chuvas

O Pantanal vive ciclos de cheia que alteram a disponibilidade de presas naturais. Em períodos de alagamento intenso, o deslocamento das espécies silvestres se restringe, reduzindo a oferta de alimento para o topo da cadeia alimentar.

Comportamento Territorial e Reprodutivo

Em certas épocas do ano, as onças-pintadas podem exibir maior territorialidade, sobretudo fêmeas com filhotes ou machos em busca de parceiras, aumentando o risco de reações defensivas diante de intrusos humanos.

Atitude da Vítima

Vídeos mostram que Jorge tentava coletar mel em um deck próximo à mata e foi alertado por um amigo sobre pegadas de onça no entorno antes do ataque, mas prosseguiu sozinho, possivelmente sem equipamentos de segurança adequados.

Prevenção e Medidas Possíveis

Boas Práticas no Pantanal

  • Circulação em grupo: evita encontros inesperados com onças e permite socorro imediato.

  • Uso de lanternas potentes: essencial em trilhas e áreas de vegetação densa, sobretudo ao amanhecer e anoitecer.

  • Sinalizadores sonoros: apitos ou sinos avisam da presença humana e podem afastar felinos.

Uso de Barreiras e Equipamentos

  • Cercas elétricas ou de nylon em torno de áreas de convivência e abrigos de caseiros.

  • Armadilhas fotográficas e rastreamento por GPS em pontos estratégicos, para monitorar movimentos de onças e antecipar riscos.

  • Kit de primeiros socorros e comunicação via rádio ou celular de longa distância.

Educação Ambiental e Convivência

Projetos como o “Guia de Convivência” do ICMBio e WWF-Brasil (acesse aqui) oferecem orientações para moradores de áreas rurais sobre como reduzir conflitos e promover a coabitação segura com felinos de grande porte.

Questões Ambientais

Fragmentação de Habitat e Agricultura

A expansão de áreas agrícolas e o desmatamento ao redor do Pantanal fragmentam corredores naturais, amplificando o contato entre onças e populações humanas e reduzindo a área de caça.

Impacto das Mudanças Climáticas e Inundações

Chuvas intensas e variações climáticas podem inundar territórios tradicionais de caça, forçando as onças a buscar alimento próximo a fazendas e áreas de pescadores, elevando o risco de conflito.

Importância Ecológica da Onça-pintada

Como predadora de topo, a onça-pintada regula populações de herbívoros e mantém o equilíbrio de toda a teia alimentar do Pantanal, sendo considerada espécie-bandeira para conservação de grandes áreas contínuas do bioma.

Curiosidades sobre a Onça-pintada

  • Maior felino das Américas e terceiro maior do mundo, com peso que pode ultrapassar 100 kg na fase adulta.

  • Manchas únicas como impressões digitais, permitindo que pesquisadores identifiquem indivíduos individualmente.

  • Mordida mais poderosa entre os felinos, capaz de perfurar o casco de tartarugas; caninos de até 5 cm de comprimento.

  • Territórios variam de 30 km² (no Pantanal, devido à alta disponibilidade de presas) a 1.300 km² (em biomas mais fragmentados, como o Cerrado).

  • Adaptação a áreas úmidas: prefere habitar regiões com corpos d’água e planícies alagáveis, o que faz dela um excelente caçador em ambientes aquáticos.

terça-feira, 22 de abril de 2025

Morenão em debate: sociedade cobra revitalização e concessão do estádio

 

Um vídeo que circula pelas redes sociais reacendeu a discussão sobre a situação do Estádio Universitário Pedro Pedrossian, o popular “Morenão”, em Campo Grande (MS). A gravação mostra os oradores Airton (@airtonean) e José Guilherme (@joseguilhermemss) fazendo duras críticas ao abandono da estrutura e pedindo urgência na concessão do espaço para revitalização.

No vídeo, os oradores apontam o descaso do poder público e questionam a falta de aproveitamento do estádio como espaço multiuso. “Imagina se o estádio, além de jogos, tivesse eventos, shows... quantos jovens poderiam estar sendo beneficiados com isso?”, questiona Airton. Ele ainda destaca que o Morenão já sediou partidas de grandes clubes como Flamengo e Corinthians, relembrando o seu passado glorioso.

Airton reforça que há um movimento para transferir a gestão do estádio, atualmente sob responsabilidade da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), para o Governo do Estado. “A ideia inicial era transformar isso em uma PPP (Parceria Público-Privada), mas até hoje nada foi feito”, critica.

O vídeo ganhou repercussão no Instagram e no WhatsApp, sendo compartilhado por diversos perfis influentes da capital. Entre as reações, destaca-se a da suplente de vereadora e líder do movimento Juntos MS, Cassy Monteiro (@cassymonteiro), que manifestou apoio à causa.

Um patrimônio em decadência

Inaugurado em 1971, o Morenão tem capacidade para mais de 44 mil pessoas e já foi palco de partidas históricas, shows e eventos universitários. No entanto, nos últimos anos, sua estrutura passou a apresentar problemas de segurança, o que levou à interdição parcial e, posteriormente, à desativação para eventos de grande porte.

Apesar de algumas reformas pontuais, o estádio segue sem uso pleno e com estrutura precária, segundo relatos da comunidade esportiva. A proposta de uma concessão via parceria público-privada vem sendo discutida há anos, mas sem avanços concretos.

O que dizem os órgãos públicos?

A UFMS, atual gestora do estádio, declarou em notas anteriores que está aberta ao diálogo com o Governo do Estado para viabilizar alternativas de uso do espaço. Já o Governo de Mato Grosso do Sul afirma estudar modelos de concessão, mas ainda não há previsão oficial para a implementação do processo.

Enquanto isso, a sociedade civil e movimentos como o Paradoxo MS (@paradoxoms) seguem pressionando por agilidade e transparência. “É hora de parar de prometer e começar a fazer. O Morenão precisa voltar a ser orgulho do nosso estado”, conclui José Guilherme no vídeo.

terça-feira, 15 de abril de 2025

Orquestra Indígena do MS realiza concerto especial em Campo Grande com entrada gratuita

 

Celebrando o encontro entre culturas e o protagonismo indígena na música de concerto contemporânea, a Orquestra Indígena do Mato Grosso do Sul se apresenta nesta quarta-feira (16), às 20h, no Teatro Aracy Balabanian, localizado no Centro Cultural José Octávio Guizzo (CCJOG), em Campo Grande. A entrada é gratuita.

O concerto integra o projeto internacional “Arapy Aguasu – Sinfonia entre Dois Mundos”, uma criação colaborativa dos músicos Eduardo Martinelli (Brasil) e Norberto Cruz (Portugal), que propõe uma fusão entre a ancestralidade musical indígena e a tradição erudita portuguesa. A obra será destaque de uma turnê internacional por Portugal e Espanha no segundo semestre de 2025.

A iniciativa é realizada com o apoio da República Portuguesa – por meio de seu Ministério da Cultura (DGArtes) –, do Governo Federal do Brasil, via Lei Rouanet, e da Fundação Ueze Elias Zahran. A produção é assinada pela ABM-Madeira (Portugal), Instituto Amigos do Coração (Brasil) e Miradouro Cultural (Portugal), com apoio do Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da FCMS (Fundação de Cultura) e da Setesc (Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura), além do Governo Regional da Madeira.

Inspirado pelas "Marés" e pela "Mata", o espetáculo simboliza as conexões marítimas históricas entre Brasil e Portugal e celebra a riqueza natural e cultural da Ilha da Madeira e do Mato Grosso do Sul. A proposta nasceu de uma imersão artística que uniu músicos indígenas brasileiros e artistas madeirenses, promovendo vivências coletivas e o intercâmbio de histórias, memórias e tradições sonoras.

Mais do que um concerto, “Arapy Aguasu” é um manifesto cultural que enaltece a identidade indígena e reforça a música como ponte simbólica entre os povos. O projeto também integra as celebrações dos 200 anos do Tratado do Rio de Janeiro, firmado em 1825, que selou a paz e a amizade entre Brasil e Portugal após a independência.

Agenda de apresentações:

  • 16 de abril – Teatro Aracy Balabanian (Campo Grande - MS), às 20h – Entrada gratuita

  • 31 de maio – Memorial da América Latina (São Paulo - SP), às 20h

  • 20 a 31 de agosto – Concertos na Ilha da Madeira e em Lisboa (Portugal)

  • 2 a 7 de setembro – Concertos em Barcelona (Espanha)

segunda-feira, 14 de abril de 2025

DELINHA - A DAMA DO RASQUEADO

    Nesta última sexta feira (11) o Cine Procon nos proporcionou revisitar o história da DAMA DO RASQUEADO, a décadas, é a maior representante da  música regional sul-mato-grossense. Conhecida como a “Dama do Rasqueado”.
    Delanira Pereira Gonçalves nasceu em Campo Grande (MS), em 1936, e construiu uma carreira marcada por autenticidade, talento e profunda conexão com a cultura do Centro-Oeste brasileiro. Sua história agora ganha novas dimensões com o documentário A Dama do Rasqueado, que celebra sua trajetória artística e pessoal.
    Delinha ficou nacionalmente conhecida pela parceria musical e pessoal com Délio, com quem formou uma das duplas mais emblemáticas do rasqueado, gênero típico da região Centro-Oeste. Com forte influência da polca paraguaia, guarânia e música sertaneja, o rasqueado encontrou em Delinha uma voz forte e emocional, que retratava o cotidiano e os sentimentos do povo interiorano.
    O casal iniciou a carreira artística na década de 1950 e juntos lançaram músicas que se tornaram clássicos, como "O Sol e a Lua" e "Cabelos de Fogo". Mesmo após a separação amorosa, a parceria nos palcos continuou por muitos anos, reforçando a importância artística dos dois como embaixadores da música regional.
    O documentário A Dama do Rasqueado, dirigido pela cineasta sul-mato-grossense Marinetti Pinheiro  que se destaca pela realização de filmes documentais que abordam temas históricos e culturais do Centro-Oeste, contribuindo para a difusão e valorização da identidade sul-mato-grossense. A cineasta já é muito conhecida por seu trabalho voltado à valorização da cultura local e à preservação da memória regional por meio do audiovisual, mas desta vez se superou trazendo um olhar sensível e afetuoso para a iconica história da Dama do Rasqueado.
    O filme mostra Delinha além do palco: a mulher carismática, alegre, de fala firme e defensora incansável da cultura popular. O documentário também relembra momentos marcantes de sua carreira e revela bastidores de sua vida artística, incluindo a forte ligação com sua terra natal.
    Delinha faleceu em 16 de junho de 2022, aos 85 anos, deixando um legado de mais de 60 anos de carreira. Ela foi homenageada com diversos títulos ao longo da vida, incluindo o de "Patrimônio Cultural Vivo de Mato Grosso do Sul", reconhecimento à sua contribuição para a identidade cultural da região.
    A produção surgiu como uma forma de eternizar a figura de Delinha para além da memória popular, ja que ela é uma figura icônica, que precisa ser lembrada pelas futuras gerações.
    Com figurinos coloridos, flor no cabelo e um sorriso sempre presente, Delinha se tornou símbolo da cultura sul-mato-grossense. Sua música segue viva nas festas tradicionais, nas rádios do interior e, agora, nas telas do cinema, que ajudam a manter acesa a chama do rasqueado e a história de uma das maiores artistas regionais do Brasil.

sexta-feira, 11 de abril de 2025

Governo de MS realiza queima prescrita inédita no Pantanal para prevenir incêndios no Pantanal

 Ação controlada no Parque Estadual do Rio Negro é pioneira e busca reduzir riscos antes da temporada crítica de queimadas em 2025

 O Governo de Mato Grosso do Sul deu início a uma ação inédita de prevenção contra incêndios no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro. Pela primeira vez, o Corpo de Bombeiros realizou a técnica de queima prescrita, método controlado que elimina vegetação seca e cria barreiras naturais, reduzindo o risco de queimadas durante a temporada de incêndios florestais de 2025.

A operação começou no último domingo (6) e mobiliza 42 profissionais, incluindo bombeiros, técnicos do Imasul, Prevfogo/Ibama, ONGs e pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Toda a ação é feita de forma gradual e monitorada para garantir a segurança de pessoas, animais e do ecossistema local.

De acordo com o major Teixeira, do Corpo de Bombeiros, esta é a primeira vez que a técnica é aplicada em uma unidade de conservação do Pantanal sul-mato-grossense. “O objetivo é avaliar os resultados e replicar a estratégia em outras áreas protegidas. A meta é reduzir os danos à fauna, à flora e às propriedades vizinhas”, explicou.

 


 A atividade faz parte da política estadual de
Manejo Integrado do Fogo, e reúne esforços de diversas instituições, como a UFMS, Ibama, Imasul e entidades da sociedade civil. Para o professor Geraldo Damasceno Júnior, da UFMS, antecipar esse tipo de ação é essencial. “Com o fogo usado de forma controlada e ações educativas, conseguimos evitar grandes desastres ambientais”, afirmou.

Antes da queima, entre os dias 3 e 5 de abril, foram promovidos treinamentos com trabalhadores rurais da região, em uma iniciativa coordenada pelo Instituto Terra Brasilis com apoio do Ministério do Meio Ambiente e do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Com uso de tecnologia, como caminhões equipados com tanques de 7 mil litros e jatos d’água de longo alcance, a ação ganha mais agilidade e eficiência no combate direto ao fogo. Segundo o sargento Matheus, os veículos permitem combater focos enquanto avançam lentamente pelo terreno.

A operação, que segue até a próxima semana, tem apoio da Semadesc, PMA, Defesa Civil, Instituto Terra Brasilis, Wetlands International Brasil, Mupan, entre outros. O foco é antecipar ações preventivas para garantir mais proteção ao bioma e mais preparo para enfrentar os incêndios florestais previstos para o período de seca.

quinta-feira, 10 de abril de 2025

Feira Central comemora 100 anos com Festival do Peixe e show gratuito



Lugar de encontros, memórias afetivas, sabores que atravessam gerações e uma rica mistura de culturas — assim é a Feira Central de Campo Grande, carinhosamente chamada de Feirona, que celebra um século de história neste mês de abril. E para marcar esse momento tão especial, vem aí o Festival do Peixe, de 16 a 20 de abril, com entrada totalmente gratuita.

A abertura oficial do festival será no dia 16, às 20h, com um show inédito do grupo Traia Véia, sucesso nacional que mistura sertanejo com música regional e promete levantar o público com hits que celebram a alma do interior.

Durante os cinco dias de evento, os visitantes poderão aproveitar uma programação diversificada, com exposições sobre pesca, camping e náutica. Influenciadores da pesca esportiva também marcam presença, compartilhando experiências, dando dicas e mostrando como essa prática movimenta o turismo e a economia em diversas regiões do país.

Além disso, o festival contará com oficinas gratuitas, abordando temas como aquaponia — técnica sustentável que integra a criação de peixes ao cultivo de plantas — e manutenção de molinetes e equipamentos de pesca, tanto para iniciantes quanto para pescadores experientes.

Com o tema “Pesca, Turismo e Sustentabilidade”, o Festival do Peixe ainda vai sortear um motor de barco durante o evento. E as surpresas não param por aí: mais novidades serão reveladas na abertura oficial, no dia 16.

Essa é apenas a primeira de muitas ações comemorativas pelos 100 anos da Feirona. Em maio, será lançado um concurso para eleger as 100 melhores histórias vividas na Feira, contadas por quem faz parte dessa história: os moradores e frequentadores. As dez histórias finalistas serão apresentadas no tradicional Festival do Sobá, em agosto, quando também será anunciado o grande vencedor.

Outra atração confirmada é o 2º Festival de Música Cristã do Mato Grosso do Sul, que recebeu 173 inscrições este ano. Os finalistas serão revelados entre os dias 17 e 20 de abril, dentro da programação do Festival do Peixe.

Com seu clima acolhedor, sabores únicos e uma programação feita para toda a família, a Feira Central continua sendo um símbolo da diversidade cultural e um ponto de conexão entre campo-grandenses e turistas do Brasil inteiro.

A Feirona é o lugar da gente! Viva essa experiência!

📍 Onde fica?
Rua 14 de Julho, 3351, Centro (veja como chegar!) ou pela Avenida Calógeras, próximo ao Armazém Cultural.

🕒 Horário de funcionamento:
Quarta a sexta, das 16h às 23h.
Sábados e domingos, a partir das 11h.

📲 Acompanhe tudo pelo Instagram: @feiracentralcg

terça-feira, 8 de abril de 2025

Não avança acordo de importação de energia elétrica do Paraguai. Preços dificultam os negócios.


Mesmo com liberação desde o ano passado e dezenas de empresas habilitadas, preços dificultam negócios

BRASÍLIA — Embora 27 empresas estejam habilitadas para importar energia elétrica do Paraguai desde o fim de 2024, não há registros de transações, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

As liberações mais recentes ocorreram na quarta-feira (3/4) e trouxeram autorizações a oito comercializadoras. O Ministério de Minas e Energia (MME) iniciou as liberações a partir de novembro, quando a regra foi alterada.

Uma fonte do mercado que tem experiência nas relações com os paraguaios relata que as negociações são complexas.

Por mais que a regra que permite a importação para o mercado livre tenha sido uma iniciativa do país vizinho, os valores oferecidos pelas comercializadoras brasileiras não agradaram.

Um impasse semelhante é enfrentado na negociação do Anexo C do Tratado de Itaipu, que se arrasta por anos. O lado paraguaio da hidrelétrica binacional pressiona por aumentos no valor pago pelo kilowatt excedente comprado obrigatoriamente pelo lado brasileiro.

Na semana passado, devido a rumores de espionagem, o Paraguai convocou o embaixador brasileiro, suspendeu negociações sobre Itaipu e cobrou explicações do Brasil, após uma reportagem do site UOL que traz denúncia de vigilância.

Atratividade depende da conjuntura


A procura por oportunidades em outros mercados explica o movimento de comercializadoras brasileiras que se habilitaram para importar energia do Paraguai.

Segundo o CEO da consultoria Envol Energy, Alexandre Viana, os preços praticados pelo lado paraguaio podem explicar por que não houve transações até o momento.

“O Paraguai hoje está habituado com um valor mais alto de tarifa. Então existe uma questão econômica. O mercado livre brasileiro é um bom mercado, mas ele tem limite, paga menos do que o mercado regulado brasileiro”, afirmou.

Dessa maneira, as empresas brasileiras precisarão avaliar caso a caso para decidirem se faz sentido importar eletricidade do país vizinho, mesmo por um valor mais caro.

“Se for uma importação momentânea para um mês, um período curto, pode fazer sentido se o PLD [preço de liquidação das diferenças] do Brasil estiver alto. Mas, estruturalmente, o mercado livre brasileiro tem um preço estrutural mais baixo do que o regulado, então não necessariamente vai ser interessante para o Paraguai vender”, completou.

A norma que permitiu a importação de energia no ambiente de contratação livre (ACL) foi publicada em outubro de 2024, após o memorando de entendimentos firmado entre os dois países. 

A intenção foi fortalecer a integração energética regional e otimizar o uso de recursos energéticos.

O MME fixou o limite de importação em 120 megawatts médios (MWm) mensais, sem compensações por restrição de operação por constrained-off (cortes pelos gargalos na transmissão) e interrupções determinadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

A portaria de outubro do ano passado definiu que comercializadoras paraguaias poderão negociar com a CCEE, desde que sejam previamente autorizadas pelo MME e estejam adimplentes com obrigações setoriais.

As transações devem ocorrer por meio da subestação Margem Direita, na Usina Hidrelétrica Itaipu Binacional, com nível de tensão de 500 kilovolts (kV).

Empresas liberadas

Ao todo, 27 pessoas jurídicas foram liberadas por portarias do MME. Alguns CNPJs pertencem aos mesmos grupos econômicos. Veja quais são:

  • Em 4 de novembro de 2024: Infinity Comercializadora, Matrix Comercializadora, Vitol Power, Engelhart.
  • Em 25 de novembro de 2024: BTG Pactual Energia, Electra Comercializadora, Bolt Energy, Tradener, Comerc, Minerva Comercializadora, Newcom Comercializadora, Simple Energy, RZK, Ecom, Enel Trading, Engie Brasil, Engie Brasil Comercializadora, Banco BTG Pactual, Itaú Unibanco Comercializadora
  • Em 2 de abril de 2025: Santander Corretora de Seguros, Investimentos e Serviços, Eneva, Cemig Geração e Transmissão, distribuidora Cemig, Genco, Deal, Inpasa e Copel.

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segunda-feira, 7 de abril de 2025

Lagoa de balneário em Bonito é interditada após ataques de peixes a banhistas

 

O balneário Praia da Figueira, em Bonito (MS), teve sua lagoa artificial interditada temporariamente após uma série de ataques de peixes a visitantes. De acordo com dados da prefeitura, pelo menos 30 pessoas precisaram de atendimento médico este ano devido a mordidas — em um dos casos mais graves, uma vítima perdeu parte de um dedo.

A interdição foi determinada pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), após solicitação da administração municipal, que relatou o aumento de incidentes envolvendo turistas. A lagoa, principal atrativo aquático do local, permanecerá fechada até que medidas de segurança sejam adotadas.

Em nota, o Imasul afirmou que "a lagoa artificial permanecerá interditada, sendo exigida a instalação de barreiras físicas e educativas para impedir o acesso dos visitantes à água".

A Praia da Figueira é uma propriedade privada bastante popular entre turistas que visitam Bonito, cidade referência em ecoturismo. As atrações em terra firme — como trilhas e áreas de lazer — seguem funcionando, após reconsideração da interdição. No entanto, todas as atividades aquáticas continuam suspensas.

A lagoa, construída próxima ao Rio Formoso, conta com estruturas como quiosques flutuantes, mirante e pontos de observação de peixes. Segundo a prefeitura, mais de 80% dos casos registrados na cidade ocorreram nesse balneário. Um dos episódios mais sérios envolveu uma professora aposentada, moradora local, que teve parte de um dedo arrancado após ser mordida em um dos quiosques, em 17 de março. Ela foi socorrida no Hospital Darci João Bigaton.

Tambaqui é apontado como principal responsável pelos ataques

 As suspeitas recaem sobre o tambaqui, espécie amazônica introduzida na lagoa artificial. Conhecido por seus dentes fortes, o tambaqui é comum em cativeiros, mas não costuma ser agressivo.

Segundo o pesquisador Diogo Hashimoto, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), o tambaqui é o segundo peixe mais cultivado no Brasil, atrás apenas da tilápia. Ele explica que a espécie se alimenta, principalmente, de frutos e sementes, não sendo natural dela atacar seres humanos.

Apesar disso, sua presença em áreas com grande fluxo de banhistas passou a ser monitorada. Além do tambaqui, outros peixes como pacu, dourado e matrinxã também vivem na lagoa, compondo o ecossistema que atrai turistas interessados na fauna local.

Autoridades acompanham a situação e exigem adequações

A Fundação de Turismo de Bonito informou que está acompanhando de perto o caso e reforçou a importância de alinhar os atrativos turísticos às normas de segurança e proteção ambiental. A expectativa é que, com as devidas adequações, o espaço possa retomar suas atividades aquáticas em segurança.

Bonito, reconhecida nacionalmente como destino de natureza, leva muito a sério qualquer ocorrência que possa colocar visitantes em risco. Segundo o Imasul, a Licença de Operação da Praia da Figueira foi parcialmente suspensa, permitindo apenas o funcionamento das áreas em terra. Já as atividades na lagoa seguirão interditadas até que todas as exigências do órgão ambiental sejam cumpridas.

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Angelina Jolie visita cacique Raoni no Xingu e reforça conexão com povos indígenas


A renomada atriz de Hollywood e ativista social Angelina Jolie esteve na aldeia Piaraçu, localizada na Terra Indígena Capoto-Jarina, no Parque do Xingu, em Mato Grosso. Durante a visita, realizada nesta quarta-feira (2), Jolie se encontrou com o cacique Raoni Metuktire, um dos principais líderes indígenas do mundo.

Fotos e vídeos da atriz ao lado de Raoni, bem como de mulheres e crianças indígenas, começaram a circular nas redes sociais. No entanto, as imagens não foram divulgadas nas contas oficiais de Jolie, mas sim por um fã-clube dedicado à artista.

A presença da atriz foi confirmada por Patxon Metuktire, neto de Raoni, embora o motivo oficial da visita não tenha sido divulgado. Segundo informações do G1, Jolie chegou ao local acompanhada pela organização ambiental Re:wild, fundada por cientistas e pelo ator Leonardo DiCaprio. O objetivo da visita estaria relacionado à conexão dos povos indígenas com a floresta e à preservação ambiental.

Além de seu engajamento social e ambiental, Angelina Jolie também está envolvida em novos projetos cinematográficos. A atriz protagoniza o filme biográfico "Maria", sobre a soprano Maria Callas, dirigido por Pablo Larraín. Para interpretar a icônica cantora de ópera, Jolie dedicou sete meses a aulas de canto, aprendendo árias de mestres como Giacomo Puccini e Giuseppe Verdi.

A visita de Jolie ao cacique Raoni ocorreu dois dias antes de um importante encontro entre o líder indígena e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente estará na Terra Indígena Capoto-Jarina nesta sexta-feira (4) para dialogar com lideranças indígenas da bacia do rio Xingu. Vale lembrar que Raoni esteve ao lado de Lula durante a posse presidencial em janeiro de 2023, subindo juntos a rampa do Palácio do Planalto.

A presença de personalidades internacionais como Angelina Jolie reforça a importância da preservação ambiental e dos direitos dos povos indígenas, trazendo visibilidade global para a luta dessas comunidades.

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Posicionamento Ideológico dos Partidos Políticos Brasileiros em 2025

O cenário político brasileiro é caracterizado por uma ampla diversidade de pensamentos e ideologias que orientam as ações dos partidos políticos. Em 2025, essa diversidade se reflete na distribuição das legendas ao longo do espectro ideológico, variando desde a extrema esquerda até a extrema direita. Compreender o posicionamento dessas legendas é essencial para analisar as dinâmicas políticas do país e os rumos das políticas públicas.

A ideologia partidária pode ser classificada segundo uma escala que vai de 0 a 10, onde 0 representa a extrema esquerda e 10 a extrema direita. Esse espectro define as diretrizes principais seguidas por cada partido, bem como suas pautas prioritárias e sua atuação política.

A Escala Ideológica

A escala ideológica é dividida da seguinte forma:

  • 0 a 1: Extrema Esquerda - Representa partidos que defendem políticas revolucionárias, estatização da economia e forte presença do Estado.

  • 2: Centro-Esquerda - Caracteriza-se pelo progressismo social e defesa do bem-estar social com regulação do mercado.

  • 3: Centro - Grupos políticos que equilibram políticas de livre mercado com programas sociais moderados.

  • 4: Centro-Direita - Partidos liberais em economia e conservadores em alguns costumes.

  • 5: Direita Moderada - Defende o capitalismo e a redução do Estado, mas sem radicalismos.

  • 6 a 7: Direita Conservadora - Pautas nacionalistas, valores tradicionais e economia de mercado.

  • 8 a 10: Extrema Direita - Defende menos intervenção estatal, moralismo social e patriotismo exacerbado.

    Distribuição dos Partidos e Principais Lideranças

    Extrema Esquerda (0 - 1)

    Os partidos que compõem essa categoria, como PCO, PCB, PSTU, PSOL, PCdoB e PT, defendem a estatização de setores estratégicos e uma redistribuição radical da riqueza. Historicamente, pautas como a reforma agrária ampla e a ampliação dos direitos trabalhistas são centrais. Um exemplo é a defesa de movimentos como o MST, que busca a ocupação de terras improdutivas.

    Principais Lideranças: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), figura histórica na esquerda e ex-presidente do Brasil; Guilherme Boulos (PSOL), ativista dos movimentos de moradia; Manuela D’Ávila (PCdoB), ex-deputada e defensora de pautas progressistas.

    Centro-Esquerda (2)

    Nesse espectro encontram-se REDE, PSB, PV e PDT, partidos que defendem o fortalecimento das políticas sociais e o desenvolvimento sustentável. Um exemplo prático é a proposta da REDE para regulamentação ambiental e incentivo às energias renováveis.

    Principais Lideranças: Marina Silva (REDE), ex-ministra do Meio Ambiente; Ciro Gomes (PDT), economista e ex-governador do Ceará; Flávio Dino (PSB), ex-governador do Maranhão e atual ministro do STF.

    Centro (3)

    O MDB, PSD, Solidariedade e Cidadania são partidos que transitam entre diferentes espectros ideológicos, adotando posturas pragmáticas. Eles frequentemente atuam na mediação de conflitos políticos, como visto no governo de Michel Temer, que equilibrava reformas econômicas com políticas assistencialistas.

    Principais Lideranças: Michel Temer (MDB), ex-presidente do Brasil; Gilberto Kassab (PSD), ex-prefeito de São Paulo; Rodrigo Pacheco (PSD), presidente do Senado.

    Centro-Direita (4)

    Nesta categoria, União Brasil e Podemos defendem o livre mercado e o endurecimento de leis penais. A defesa da privatização da Eletrobras é um exemplo de suas diretrizes econômicas, enquanto pautas de segurança pública incluem a redução da maioridade penal.

    Principais Lideranças: Sergio Moro (União Brasil), ex-juiz da Lava Jato; Luciano Bivar (União Brasil), empresário e deputado federal; Renata Abreu (Podemos), deputada e defensora da reforma política.

    Direita Moderada (5)

    Partidos como PP, PRD e Avante apoiam reformas que flexibilizam leis trabalhistas e promovem privatizações setoriais. São conhecidos por apoiar medidas que favorecem empresários, como a desoneração da folha de pagamento.

    Principais Lideranças: Arthur Lira (PP), presidente da Câmara dos Deputados; Valdemar Costa Neto (PRD), líder do partido e articulador político.

    Direita e Direita Conservadora (6 - 7)

    PL, Republicanos e PRB compõem essa ala política, caracterizada pela defesa do empreendedorismo e dos valores religiosos. A bancada evangélica, fortemente influente no PL, frequentemente propõe legislações voltadas para a moral conservadora, como restrições ao aborto e oposição à ideologia de gênero.

    Principais Lideranças: Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente do Brasil e símbolo do conservadorismo no país; Marcos Pereira (Republicanos), deputado e bispo da Igreja Universal.

    Extrema Direita e Direita Radical (8 - 10)

    Partidos como PSC, PRTB, Novo, DC e Patriota defendem um Estado mínimo, privatizações totais e combate às pautas progressistas. Políticos dessa ala frequentemente criticam instituições como o STF e o Congresso, promovendo discursos de antipolítica e autoritarismo.

    Principais Lideranças: Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais e defensor do liberalismo radical; Levy Fidelix (PRTB), falecido político conhecido por seu discurso ultraconservador; Daniel Silveira (Patriota), ex-deputado preso por ataques ao STF.

    Conclusão

    O Brasil apresenta um cenário político altamente diversificado, no qual partidos transitam entre diferentes espectros ideológicos, impactando diretamente as políticas públicas e os rumos da sociedade. O entendimento dessa diversidade permite ao eleitor tomar decisões mais informadas nas eleições e compreender melhor as disputas políticas que moldam o país. O equilíbrio entre essas forças ideológicas determina as transformações que a sociedade brasileira vivenciará nos próximos anos.